segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Eficiência logística e seus impactos financeiros


"Em um mercado globalizado e altamente competitivo as empresas são desafiadas a operar com baixos preços e a atender aos níveis de serviço e qualidade, exigidos pelos clientes, a fim de garantir a sua sobrevivência.A logística integrada apresenta as maiores oportunidades de lucratividade empresarial."


1. INTRODUÇÃO

Segundo Christopher (1997, p.2), a logística é o processo de gerenciar estrategicamente aquisição, movimentação e armazenagem de materiais e produtos acabados bem como os relativos fluxos de modo a maximizar as lucratividades presente e futura através da redução dos custos.

Portanto, a logística propicia a redução de custos, agrega valor, melhora os níveis de serviço e consequentemente maximiza a lucratividade. Não restam dúvidas de que o gerenciamento logístico de forma eficiente proporciona impactos financeiros positivos.

O tema deste estudo trata da estreita relação existente entre a logística e a administração financeira, bem como dos efeitos positivos que uma logística eficiente pode ter sobre os resultados financeiros de uma organização. Em contrapartida uma logística ineficiente gera prejuízos financeiros expressivos, comprometendo a própria sobrevivência da empresa.

Mesmo a logística tendo um papel tão importante no sucesso das organizações, continua sendo deixada em segundo plano; os processos logísticos não são tratados pelos administradores com o devido enfoque estratégico.

A partir deste enfoque os objetivos gerais deste estudo são: descrever a estreita relação entre a logística e a administração financeira, analisando como uma logística eficiente pode impactar positivamente sobre as finanças de uma organização, gerando valor ao cliente e conseqüentemente maximizando lucros e reduzindo custos.

Os objetivos específicos deste estudo são elencados como:

Abordar como o gerenciamento logístico é colocado em segundo plano pelas empresas que por sua vez apresentam um elevado grau de ineficiência logística com graves impactos negativos sobre as finanças;Descrever a importância estratégica da logística para o ganho de vantagem competitiva e o conseqüente aumento da lucratividade;Abordar a necessidade da mensuração dos resultados obtidos e o papel da contabilidade gerencial como ferramenta gerencial no âmbito logístico.

A metodologia empregada neste estudo foi a pesquisa qualitativa e quantitativa a partir do levantamento de dados e conceitos disponíveis em literatura voltada para a área de logística e administração financeira, bem como artigos, periódicos, revistas e análise de dados estatísticos disponíveis.

A relevância deste estudo deve-se ao fato de que é indubitável que investimentos na infraestrutura logística criam um diferencial competitivo para as empresas, isto fica claro quando comparamos as economias desenvolvidas com as economias em desenvolvimento nas quais os custos logísticos chegam a 10% do PIB enquanto no Brasil tais custos podem chegar ao dobro deste montante. Um sistema de transportes mais eficientes resulta em maior competitividade, economia de escala e redução de custos.

Este artigo foi dividido em quatro tópicos sendo o primeiro a introdução, o segundo a revisão da literatura, terceiro a conclusão e por fim, a referência bibliográfica como quarto tópico.

2. REVISÃO DA LITERATURA

Visando diferenciar suas ofertas de produtos e serviços em relação à concorrência as empresas investem mais e mais tempo e dinheiro em ações estratégicas.

A partir do momento que os gestores atentam para o fato de que a logística afeta significativamente os custos totais, conscientizam-se de que as decisões com relação a cadeia de suprimentos geram resultados que permitem níveis de serviços ao cliente diferenciados e por fim uma condição de maior vantagem competitiva, participação de mercado e aumento dos lucros.

A gestão logística eficiente gera não apenas reduções de custos, mas aumento das vendas.

A partir do aumento da eficiência operacional, a logística colabora para maximizar a lucratividade presente e futura da empresa, por isto o interesse pela logística vem crescendo cada vez mais.

A capacidade logística de contribuir para melhorar os resultados financeiros da empresa deve pesar na adoção de estratégias.

2.1. Logística como Maximizador do Lucro

Mais do que apenas reduzir custos, é necessário construir vantagens competitivas que proporcionem crescimento, vendas, a conquista de novos clientes e mercados através da agregação de valor ao cliente.

Os resultados futuros serão positivos se as empresas gerarem hoje satisfação para seus clientes, por isto um dos objetivos principais da logística é satisfazer aos clientes.

A empresa consegue assegurar sua vantagem competitiva a partir do momento em que ocorre a criação de valor nas atividades logísticas. O resultado econômico não corresponde apenas à criação de valor em si, mas também pelo aumento na capacidade da empresa produzir riquezas ou benefícios no longo prazo (futuro) estando diretamente relacionado à capacidade da empresa gerar valor.

2.2. A Importância dos Custos

Martel (2010) salienta que os custos logísticos no Brasil chegam a 12% do PIB, enquanto nos EUA correspondem a 9% do PIB, sendo a média mundial de 11% do PIB. Para as empresas brasileiras os custos logísticos variam de 4 a 30% das vendas variando em função do tipo de segmento de mercado.

Somente os custos do produto são maiores do que os custos logísticos. Desta forma os custos logísticos envolvem grandes dispêndios financeiros, muitas vezes são maiores até do que a própria margem de lucro do produto, consequentemente qualquer redução nestes custos representaria aumento nas margens de lucro.

Para um país com dimensões continentais e infraestrutura logística deficiente como o Brasil, o enfoque em custos logísticos é um ponto crítico. De forma que os administradores brasileiros precisam ter uma visibilidade mais apurada dos custos e realizar uma análise dos custos logísticos totais.

Apesar de os custos com frete corresponderem a 60% dos custos logísticos ou até 10% do PIB de uma nação relativamente desenvolvida, o gerenciamento das atividades de transporte ainda são colocados em segundo plano pelas empresas brasileiras. Estas apresentam um elevado grau de ineficiência no transporte, destacando-se as atividades de carregamento e descarregamento cujo tempo médio de espera ultrapassam seis horas e acabam por incrementar estes custos em até 64%.

O compartilhamento de informações e o planejamento das atividades logísticas são quase inexistentes. Enquanto nos EUA, por exemplo, a perspectiva em transportes é a busca pela eficiência e a qualidade através de uma parceria (comprometimento e interdependência), superando a lógica baseada em custos.

Para que haja uma maior eficiência logística é necessário que toda a cadeia de suprimentos e distribuição haja com integração, consolidando parcerias, otimizando e racionalizando processos internos que facilitem os fluxos de materiais e informações.

No contexto em que as relações comerciais foram drasticamente modificadas a partir da globalização é primordial o estabelecimento de parcerias ou alianças logísticas entre empresas e distribuidores, além das estratégias de gestão da cadeia de suprimentos existentes. Tal parceria é facilitada após limitar-se o número de parceiros transportadores, garantindo maior controle do serviço prestado, estabelecimento de margens mais baixas e um consequente volume maior de frete no longo prazo.

Para que o estabelecimento de uma parceria a confiança mútua é fundamental. Através desta parceria que caracteriza uma nova relação empresa-transportadoras é possível enxergar ganhos como: interface coordenada, eficiente e previsível aos clientes. Na perspectiva das transportadoras os ganhos seriam maior previsibilidade em relação à capacidade demandada (frota), horizonte de investimento e aprimoramento das suas práticas operacionais (diferenciação).

A definição dos custos logísticos de uma empresa é uma tarefa desafiadora, pois os sistemas de contabilidade financeira e os métodos usuais de cálculo dos custos não permitem identificá-los facilmente.

A contabilidade tradicional associa grupos de recursos (caixa, contas a receber, salários, aluguel e etc.). As alocações de custos são feitas proporcionalmente ao fator de distribuição como, por exemplo, mão de obra direta, sem que haja relação com os custos reais.

Desta forma os custos logísticos exigem um enfoque que inclui os custos que não constam precisamente no balanço contábil. É necessária uma análise com relação aos diferentes itens contábeis que podem ser obtidos por meio da informação contábil da empresa. Para isto os dados contábeis devem ser reorganizados para que se possa ter uma estimativa adequada desses custos.

2.3. Monitoramento e Mensuração do Desempenho

Além da determinação dos custos logísticos as empresas precisam atentar para o monitoramento de seus desempenhos, através de um sistema de mensuração que considere responsabilidade e competência em todos os níveis hierárquicos.

Devem ser incorporados a este sistema de mensuração os custos totais da empresa, os custos por atividade, fatores críticos do sucesso como (caixa, custos, lucros, tempo de ciclo, inovação, qualidade, satisfação dos clientes, participação no mercado, nível de investimento e lucro operacional sobre o ativo total).

Por fim devem ser considerados indicadores financeiros e não financeiros de desempenho como custos de atividade, dias de estoques, entregas pontuais, taxas de preenchimento de pedido, etc. Indicadores ligados ao planejamento estratégico da organização devem ser analisados sistematicamente.

2.4. Logística e Estratégia

O desempenho está vinculado à estratégia e a logística passa a ser vista como uma contribuição para o resultado e não apenas um centro de custos; cumprindo seu papel estratégico de propiciar ganhos de competitividade e resultado econômico.

A adoção de indicadores econômico-financeiros mais abrangentes (custos, serviços a clientes e qualidade do produto, etc.) obriga a administração a melhorar suas estratégias, trabalhando em conjunto com a logística de forma voltada para o cliente.

Acima de tudo a empresa deve ter uma visão holística sendo capaz de avaliar o desempenho da cadeia de suprimentos como um todo e os aspectos inerentes à necessidade de gerar vantagem competitiva através da diferenciação. Consequentemente, são necessárias medidas de caráter holístico também na integração do desempenho financeiro e não financeiro da organização.

Os custos logísticos totais devem ser o balizador na tomada de decisões e não apenas os custos das atividades logísticas individualmente (transporte, armazenagem, produção, serviços ao cliente, processamento de pedidos, etc). Um enfoque sistêmico ajuda na mensuração dos custos da cadeia de suprimentos e a escolha do melhor nível de despesas ou investimentos maximiza a lucratividade.

A logística é responsável pelos fluxos de materiais, de informações e financeiro. Em cada um destes fluxos deve ser capaz de identificar os custos logísticos totais resultantes de atender ao nível de serviço ao cliente.

2.5. Eficiência Logística

Para que o sistema logístico de uma empresa seja classificado como eficiente, as atividades logísticas devem criar valor e melhorar seu desempenho minimizando o uso dos recursos (custos).

Além disto, os administradores precisam basear-se nos pressupostos de que a logística impacta nos resultados financeiros, pois, o resultado financeiro é fruto de ações tomadas nos processos empresariais.

Martel (2010) lista três variáveis como fundamentais para a definição de eficiência logística: a natureza dos produtos vendidos, a amplitude dos custos e tempos de resposta associados às atividades primárias e a economia obtida com o transporte considerando-se a extensão do território a ser coberto.

A natureza dos produtos vendidos (valor/peso) influencia diretamente sobre os custos de transporte e armazenagem, por exemplo. Da mesma forma que a variabilidade da demanda destes produtos influencia no nível de serviço prestado e nos níveis de estoque requeridos. A amplitude da variedade de produtos oferecidos bem como a inter-relação entre os componentes destes produtos são fatores importantes, pois, resultam em um tempo de resposta maior além da necessidade de implantar processos de fabricação, montagem e suprimento diversificados. A diminuição na variedade dos componentes reduz significativamente os impactos negativos da demanda incerta para os produtos.

A amplitude dos custos e dos tempos de resposta associados às atividades primárias: o custo unitário imobilizado em estoques aumenta em cada etapa do processo logístico em virtude de ser proporcional ao valor dos itens estocados.

A economia obtida com o transporte considerando-se extensão do território a ser coberto implica no tipo de modal de transporte, tendo em vista que cada tipo de transporte tem suas características de custos, tempo de resposta e confiabilidade.

Novaes (2007) ressalta que a eficiência é medida comparando-se as produtividades da empresa individualmente com a máxima produtividade observada.

2.6. Logística como Agregador de Valor

Gerar valor para o cliente tornou-se uma poderosa forma de garantir vantagem competitiva. Uma forma de fidelizar ou manter o cliente, algo fundamental para a rentabilidade da empresa em longo prazo.

Para criar valor ao cliente é fundamental: conhecer a percepção do cliente quanto ao que é valor e como proporcioná-lo e satisfazer a necessidade do cliente no momento em que este precisa.

Segundo Christopher (1997) o valor é gerado quando "as percepções dos benefícios em uma transação superam os custos totais de propriedade", ou seja, as percepções dos benefícios que são intangíveis estão relacionadas a um valor tangível que é o monetário. O custo total de propriedade está relacionado ao custo físico (tempo e energia dispendidos) e monetário.

Padoveze (1999) conceitua a criação de valor como a geração ou aumento do valor econômico de um recurso ou ativo.

Em termos logísticos, gerar valor envolve conhecer de forma detalhada as atividades do cliente, sua estrutura de custos, necessidades e dinâmica de mercado. "Desta forma, à medida que o benefício começa a revelar-se para o cliente, aparece, também o retorno para o fornecedor." (Faria, 2007) (grifo nosso).

A atividade empresarial agrega aos produtos e serviços valores como forma, tempo, lugar e posse. Destes quatro valores, dois são criados pela logística, são estes os valores de tempo e lugar. A logística faz isto principalmente através do transporte, do fluxo de informações e do estoque.

A produção cria os valores de forma através da transformação das matérias-primas em produto acabado. O marketing cria os valores de posse ao induzir a aquisição dos produtos. Considerando-se que o gerenciamento da cadeia de suprimentos implica em produção, a logística consequentemente é responsável por mais um valor que é o de forma.

Segundo Ballou (2006) um produto perde seu valor quando não está ao alcance do cliente no momento e lugar por este requerido. Por conseguinte, ao disponibilizar um produto no tempo certo, cria-se ao cliente um valor único. Este valor é similar ao gerado pela produção de produtos ou serviços de qualidade ou baixo preço.

Considerando-se que os clientes querem respostas cada vez mais rápidas e padronizadas, os valores gerados pela logística devem ser tratados com o necessário enfoque pelas empresas em busca de vantagens competitivas que tornem duradouras suas relações comerciais.

As empresas tem aplicado o conceito de respostas rápidas às suas operações a fim de atenderem os níveis de serviço requeridos pelos clientes e os seus próprios planos de marketing. Por consequência criam vantagens de comercialização que trazem importantes incrementos aos lucros. Incrementos estes suficientes para cobrir até mesmo os custos adicionais em função desta maior responsividade.

Ressaltando-se que a criação de valor nas atividades logísticas somente ocorre quando cria valor em longo prazo assegurando sua continuidade.

Resultado econômico caracteriza-se também pelo acréscimo na capacidade em gerar valor partindo do princípio que o verdadeiro conceito de riqueza relaciona-se com a capacidade de produzir riqueza, ou seja, benefícios futuros.

Na contabilidade gerencial bem como na administração financeira é muito claro o conceito de que o objetivo de uma organização é criar valor para seus acionistas, o que está ligado ao processo de gerar ou maximizar o lucro.

Agregar valor ao acionista é uma consequência da criação de valor para o cliente e significa obter retorno sobre os investimentos e sobre o Patrimônio Líquido ou incremento no EVA (Valor Econômico Agregado) da empresa.

Segundo Faria (2007) a logística melhora o retorno sobre os investimentos realizados ou o retorno sobre o Patrimônio Líquido através:

Do aumento das vendas devido ao melhor nível de serviço; Redução dos ativos logísticos como inventários ou imobilizados através de terceirização/ alianças de operações logísticas;Redução dos custos operacionais logísticos como transporte, armazenagem, embalagem, etc. por replanejamento dos processos logísticos; Melhoria nas margens de lucro devido ao aumento do preço de venda em contrapartida a um melhor nível de serviço, ou por melhorar o mix de produtos.

Portanto, a logística tem um impacto direto sobre o EVA que é um indicador financeiro do resultado da gestão em curto prazo e também mensura desempenho, pois este aumenta à medida que os resultados operacionais aumentam.

2.7. Contabilidade Gerencial e a Agregação de Valor

As organizações atualmente focam sua missão no conceito de criação de valor, para cumpri-la apoiam-se no sistema de informações gerenciais criado pela contabilidade.

Segundo Padoveze (1999) a atual contabilidade gerencial tem suas atividades focadas na criação de valor através do uso efetivo dos recursos (redução de perdas e desperdícios) e adoção de tecnologias como o exame de direcionadores de valor ao cliente, valor para o acionista e inovação organizacional.

O papel da contabilidade na criação de valor tem como pontos referenciais o valor agregado aos produtos no processo produtivo e o custo de oportunidade de capital, que possibilita a mensuração do valor econômico adicionado.

Segundo Atkinson (2008) "sistemas contábeis gerenciais efetivos podem criar valor consideravelmente pelo fornecimento de informações acuradas e oportunas sobre as atividades necessárias para o sucesso das organizações de hoje".

A informação por si só tem o papel fundamental de diminuir o grau de incerteza na tomada de decisão, o que a torna cada vez mais valiosa para o administrador.

A contabilidade gerencial auxilia à gestão a partir dos subsídios que fornece para a tomada de decisão. Decisões são tomadas em um contexto onde os dados deverão ser muito bem apurados de forma a não gerar ambiguidade ou dar margem à subjetividade do decisor, afinal o objetivo é reduzir a incerteza.

Em meio à alta competitividade as informações gerenciais são fundamentais para o desempenho eficiente das organizações tendo em vista que se originam de dados contábeis baseados em registros fiscais reais.

Se utilizada corretamente a informação contábil incrementará a competitividade da organização à medida que facilita o planejamento e controle das ações internas, principalmente as atividades logísticas.

O planejamento é a atividade que mais despende informação contábil, pois cria perspectivas futuras baseando-se no histórico de informações relativas ao processo produtivo e seus resultados. Avalia alternativas e provê expectativas condizentes com os objetivos primários da empresa.

O sistema de informações gerenciais deve ser eficaz e destacar informações úteis e oportunas, dando condições de gestão dos recursos com adição de valor.

Basear-se em informações contábeis, qualitativas, facilita a formação de uma perspectiva quanto aos efeitos das decisões tomadas em médio e longo prazo, além de auxiliar o aperfeiçoamento de processos e desempenho da organização.

Este é o papel da informação contábil gerencial: ser uma ferramenta importante para os gestores logísticos.

2.8. Logística como Vantagem Competitiva

Segundo Ballou (2006) "a fonte de vantagem competitiva é encontrada, primeiramente, na capacidade de a empresa diferenciar-se de seus concorrentes aos olhos do cliente, e em segundo lugar, pela capacidade de operar em baixo custo e, portanto, com lucro maior.".

A vantagem competitiva provém da capacidade da organização de destacar-se no ponto de vista do cliente, por oferecer produtos e serviços diferenciados seja pelo fator preço, qualidade ou atendimento. Alcançar vantagens competitivas implica em conhecimento detalhado acerca das atividades da empesa, considerando individualmente as variáveis envolvidas a fim de atingir os objetivos.

Após uma avaliação do ambiente interno e externo, deve ser feita uma sistemática análise com o intuito de optar por uma estratégia que possa ser sustentada pela empresa e constitua-se em vantagem competitiva.

As estratégias podem ser direcionadas para a liderança de custo (menor custo do segmento), diferenciação (agregação de um valor superior para o cliente) ou foco (atuar como especialista em um segmento de mercado).

A liderança em custos aliada à diferenciação através da garantia de qualidade e serviços agregados aos produtos, representam para a moderna concepção de Gerenciamento de Cadeia de Suprimentos o padrão mínimo para atuar competitivamente no mercado globalizado.

Empresas que não se adequaram aos padrões de custos do seu segmento ou não implantaram controles de qualidade adequados "dificilmente conseguirão atuar de forma integrada e com sucesso na cadeia de suprimento otimizada." (Novaes, 2007)

3. CONCLUSÃO

O resultado da aplicação da logística de forma eficiente reflete diretamente na diminuição das necessidades de capital de giro, além da evidente importância da logística empresarial para a obtenção de um bom resultado na gestão do negócio e da sobrevivência da empresa.

Este estudo aponta o quão estreita é a relação entre os resultados financeiros e a eficiência logística, cujos pontos em comum são elencados abaixo:

Preocupação com a utilização adequada dos recursos materiais e financeiros;Prima pela alocação racional dos recursos para otimizar o seu retorno;Busca a redução dos custos e eliminação dos custos desnecessários;Tomada de decisões com foco na geração de valor para os acionistas;Seus profissionais tomam decisões relativas aos investimentos e avaliam seu retorno.

Além disto, a administração financeira tem por missão criar valor para seus acionistas, o que está ligado ao processo de gerar ou maximizar o lucro.

Segundo Neto (2002), a utilização racional dos recursos por si só leva a redução dos custos, maior nível de serviço, agrega valor, podendo representar em aumento dos lucros da empresa. Tais objetivos podem ser atingidos através de um sistema logístico eficiente, o que evidencia a relação entre a eficiência logística e os resultados financeiros. Sendo que a excelência logística favorece a excelência financeira.

Visando manter a lucratividade em alta as empresas investem na aquisição de novas competências dentre estas destaca-se a logística, que possui a capacidade de agregar as diferentes atividades empresariais, envolvendo toda a cadeia de suprimentos e distribuição com seus diferentes interesses.

O sistema logístico brasileiro deve priorizar o ganho de eficiência através da integração, consolidando parcerias, otimizando e racionalizando processos internos que facilitem os fluxos de materiais e informações em toda a cadeia de suprimentos e distribuição.

A eficiência logística será alcançada por empresas aptas a criar valor para seus clientes e acionistas, através da redução de custos e maximização do lucro. Para isto é fundamental identificar o que o cliente entende por valor e satisfazer a necessidade deste.

A contabilidade gerencial tem um papel importante na criação de valor e tem como pontos referenciais o valor agregado aos produtos no processo produtivo e o custo de oportunidade de capital, que possibilita a mensuração do valor econômico adicionado.

Os administradores precisam adotar a contabilidade gerencial como ferramenta importante para a gestão eficiente e incremento à competitividade da organização à medida que facilita o planejamento e controle das ações internas, principalmente as atividades logísticas.

Acima de tudo, um sistema logístico eficiente utiliza menos recursos, tem menor grau de endividamento, aumenta seus índices de liquidez, cria valor para o cliente mantendo sua vantagem competitiva e maximiza a lucratividade, portanto a eficiência logística é fundamental para o sucesso financeiro de uma organização, sobre o qual tem impacto direto.

4. BIBLIOGRAFIA

ASSIS, Paulo Roberto de - A Importância da Contabilidade para as Funções Administrativas: Rh, Adm. Financeira, Marketing e Adm. da Produção –– Junho/2009, disponível em: www.artigonal.com.br

ATKINSON, AA e outros – Contabilidade Gerencial – São Paulo – Atlas, 2008

BALLOU, R.H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos/ Logística Empresarial. 5ª. Edição. Porto Alegre: Bookman, 2006.

CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: estratégias para a redução de custos e melhoria dos serviços. São Paulo: Pioneira, 1997.

FARIA, Ana Cristina de – Gestão de custos logísticos – 1ª Ed. – São Paulo – Atlas, 2007.

FLEURY, Paulo Fernando. Avila, Marcos Gonçalves. Wanke, Peter - Em busca da eficiência no transporte terceirizado: estrutura de custos, parcerias e eliminação dos custos. - Revista Gestão & Produção – Ago.1997, vol. 4, nº 2, p. 219 – 233.

LIU, Shuang Liu & Zhongmin Fang - Study on the Relationship between Customer Satisfaction and 3PL Costs - International Journal of Business and Management - Vol. 4, No. 6, Junho de 2009.

MARTEL, Alain – Análise e projeto de redes logísticas – 2ª Ed – São Paulo – Saraiva, 2010.

NETO, Francisco Ferraes - A relação da logística com a administração financeira e seus impactos nos índices financeiros de uma organização - Rev.FAE,Curitiba,v.5,n.3,p.41-49,set./dez.2002

NIETSCHE, Gláucia J. – Contabilidade Gerencial, base para avaliação do desempenho empresarial – Unisinos, 2001.

NOVAES, Antônio Galvão – Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição – 2ª Ed. - Rio de Janeiro – Elsevier, 2007.

OLIVEIRA, Uanderson Rebula de. Administração de capital de giro através da logística empres2arial: minimização do ciclo de caixa a partir da gestão do ciclo operacional. 2008, 57p. Especialização em Controladoria e Finanças Empresariais. Universidade Federal de Lavras, Lavras, Minas Gerais.

PADOVEZE, Clóvis Luis – Contabilidade Gerencial – Um enfoque em sistema de informação contábil – 5ª edição – São Paulo – Atlas, 2008.

PADOVEZE, Clóvis Luis - O papel da Contabilidade Gerencial no processo empresarial de criação de valor – Caderno de Estudos, São Paulo, nº 21, Maio a Agosto de 1999.


Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/eficiencia-logistica-e-seus-impactos-financeiros/57765/

Contabilidade própria ou terceirizada: qual é a melhor opção?



"Contador é um dos principais profissionais na gestão empresarial por ser responsável por toda rotina fiscal, tributária e trabalhista"


A melhora no cenário econômico do Brasil, haja vista as diversas crises que passam diversos países, onde o sistema financeiro internacional atravessa mudanças significativas que afetam diretamente o comércio nacional e internacional, vem impulsionando a abertura de novas empresas. De acordo com uma análise realizada pelo Departamento Nacional de Registros do Comércio, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), só no ano passado foram constituídas 1.370.464 empreendimentos, um crescimento extremamente expressivo em relação a 2009, quando 680.861 organizações foram abertas.

Na opinião do consultor empresarial Gabriel Jacintho, da G. Jacintho Consultoria e da Espaço Certo, abrir e gerir uma empresa exige uma série de cuidados, habilidades e conhecimentos. Segundo ele, é imprescindível que aqueles que desejam entrar no ramo do empreendedorismo entendam muito bem o mercado e o público que será atingindo. “Além disso, é preciso planejar bem o negócio”, explica. “Quando se pensa na abertura de uma empresa de qualquer porte ou segmento, o primeiro profissional que vem na nossa mente é o contador. Ele será responsável por toda função fiscal, tributária e trabalhista, além das rotinas estratégicas na formação e no desenvolvimento do negócio, uma vez que o contabilista ficará também a cargo da apuração de receitas, despesas e lucros”.

O atual ambiente dos negócios, caracterizado por acirrada concorrência em todos os segmentos, tem exigido de todos os envolvidos um “repensar” a respeito dos procedimentos que até então eram adotados. Há alguns anos, cada empresa tinha seu próprio departamento de Contabilidade, contudo, o cenário hoje é bem diferente: muitas organizações estão buscando a terceirização “para assegurar a qualidade e eficácia às atividades. Esse é um dos motivos que faz com que o profissional da Contabilidade seja um dos mais procurados no mercado atualmente”, explica Jacintho.

De acordo com o consultor, a economia em expansão e o aumento da inserção de empresas no mercado são os principais fatores que fazem da Contabilidade uma das profissões mais promissoras do Brasil. “Muitas organizações ainda mantêm seu próprio departamento contábil, mas a terceirização para esse serviço ampliou demasiadamente”, explica o especialista, ressaltando que independentemente de escolher entre a contabilidade própria ou terceirizada, o empresário deve ter em mente que o novo profissional contábil deve ter habilidades pessoais, entendimento do negócio e participação ativa no processo de gestão. “A função do contabilista, antes de mais nada, é evitar que a empresa quebre. Se a mesma estiver no vermelho, é sua função identificar um recurso para reverter a situação”.

Benefícios da terceirização

A terceirização consiste em transferir para terceiros a execução de tarefas para as quais a relação custo/benefício de realizá-las internamente não é das mais vantajosas, seja do ponto de vista de qualidade, finanças ou até mesmo de especialidade. Ao terceirizar seus serviços, a empresa torna desnecessária a contratação e manutenção de equipe própria, que envolve salários, treinamento, espaço ocupado dentro da organização, equipamentos, encargos sociais, entre outros custos.

O consultor empresarial Gabriel Jacintho afirma que a terceirização tem proporcionado o surgimento de novos negócios e a melhora na qualidade de produtos e serviços, tornando-os mais competitivos. “Ao adotar a terceirização, a empresa poderá concentrar seus recursos e esforços em sua área produtiva. Isso faz com que haja uma significativa redução de custos, principalmente no que diz respeito aos custos fixos. Logo, o lucro aumentará, o que irá acarretar em eficiência e economia das ações empresariais”, relata, pontuando ainda que outro aspecto importante é a diminuição de espaço. “Sem dúvida, a terceirização contribui para a geração de emprego, aperfeiçoamento de mão-de-obra, especialização no serviço, concorrência e produtividade para o mercado e sociedade”.

Além disso, com a expansão de negócios em todo o mundo, fica difícil abrir filiais em diversas cidades sem despender dinheiro com manutenção, infra-estrutura, mão de obra, trâmites burocráticos e administrativos. Recentemente, Jacintho inaugurou na cidade de Santos (SP) o Espaço Certo, uma empresa de escritórios virtuais que vem suprir a demanda dos empresários que necessitam de uma estrutura móvel para a empresa. Os escritórios virtuais são destinados a empreendedores que precisam reduzir os custos iniciais de um escritório: corretores, advogados, contadores, profissionais que trabalham com vendas e representações cujas atividades não exijam presença constante no escritório e que não necessitem de um espaço em tempo integral. “O Espaço Certo, um verdadeiro hotel de empresas, é ideal para empreendedores que estejam iniciando suas atividades ou que realizem muitas viagens de negócios. A preocupação com manutenção e administração de pessoal é zero e sobrará mais tempo disponível para dedicação ao próprio core business”, finaliza.

Fonte: http://www.incorporativa.com.br/mostranews.php?id=6915

O que é EBITDA

Na última semana, uma aluna me questionou nos corredores da universidade sobre um ponto muito importante na contabilidade gerencial me perguntando o que é Ebitda.

Ótimo! Eu disse, vamos à explicação:

Ebitda é uma sigla em inglês (earnings before interest, taxes, depreciation and amortization) que traduzindo significa "Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização" também conhecido aqui no Brasil como o termo Lajida.

O cálculo do Ebitda em Um primeiro passo é calcular o lucro operacional, que, de acordo com o critério utilizado no Brasil, é obtido como a subtração, a partir da receita líquida, do custo das mercadorias vendidas (CMV), das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas (despesas menos receitas com juros e outros itens financeiros). Vale lembrar que a definição de lucro operacional em boa parte do mundo exclui o resultado financeiro.

Já para calcular o EBITDA, é preciso somar do lucro operacional a depreciação e amortização inclusas no CMV e nas despesas operacionais. Isso porque essas contas não representam saída de caixa efetiva no período. Em resumo, a depreciação de um equipamento quantifica a perda de sua capacidade produtiva graças ao uso ou tempo, e, portanto, a perda de seu valor para a empresa. Essa perda, vale ressaltar, é apenas econômica e não financeira, ou seja, não há um desembolso efetivo do recursos no período.

Outra conta que deve ser acrescentada no EBITDA é a despesa financeira líquida, que foge do escopo de análise do indicador, ou seja, de efetivo desempenho operacional. Assim, para o cálculo do EBITDA, adicionam-se os juros, depreciação e amortização ao Lucro Operacional Líquido antes dos impostos.

Vale lembrar que muitas empresas já publicam diretamente o indicador, que não é de divulgação obrigatória de acordo com as regras da CVM. Isso tende a facilitar a análise, embora muitos analistas critiquem as diferentes metodologias adotadas, principalmente em relação a itens extraordinários.

O Ebitida em sua real aplicação é um indicador pode ser utilizado na análise da origem dos resultados das empresas e, por eliminar os efeitos dos financiamentos e decisões contábeis, pode medir com mais precisão a produtividade e a eficiência do negócio.

O termo é muito utilizado por analistas financeiros na análise de balanços, na contabilidade gerencial (controladoria) e contabilidade de empresas de capital aberto.

Willian Ferreira dos Santos

willian.limeira@gmail.com

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sem Contadores o Brasil também para



Notícias do CRC SP: Atividades Externas




Certo dia, ainda faltava entregar algumas declarações pela internet, mas, de tão cansado, debrucei sobre a mesa do computador e sem querer, adormeci. Em pouco tempo, comecei a sonhar e, em meio a tantos papéis e obrigações do dia a dia, sonhei que todos nós, Contadores do Brasil, de forma unânime, resolvemos tirar umas férias por tempo indeterminado.

Logo, a notícia virou destaque em todos os jornais, rádios e TVs do Brasil. A notícia pegou todo mundo de surpresa. O País ficou um caos. Nem eu imaginaria que aquela notícia poderia causar tanto efeito. E, em meio a tanta confusão, os dias foram passando e a situação do País foi se agravando cada vez mais.

De seu gabinete, o presidente da República, com olhar preocupante, perguntava aos seus ministros o quanto a União tinha em Caixa e qual era o Superávit Primário.

“Mas, presidente, o pessoal da Contabilidade ainda não nos passou os dados”, diziam os ministros apavorados.

Não contente com a resposta, ele queria saber também como andavam os lucros das empresas financiadas pelo BNDES e ligou para o presidente do banco. Porém, o presidente do banco disse que seria impossível fornecer os dados, pois os Contadores ainda não tinham voltado ao trabalho. Sendo assim, nenhuma empresa tinha apurado o resultado de suas operações.

Bem perto dali, no Ministério da Fazenda, todos estavam atônitos e não sabiam ainda em quanto tinha fechado o PIB brasileiro no mês anterior.

Lá na Receita Federal, o pessoal ficou desesperado, pois ainda não havia caído nenhum centavo na conta do "Leão" e ele ficou ainda mais feroz.

Não houve o recolhimento de nenhum tributo, pois os Contadores não apuraram o faturamento das empresas e nem preencheram os Darfs para recolhimento. Nenhuma declaração foi recebida pela base de dados, ficando impossível cruzar os dados e identificar possíveis fraudes.

A mesma coisa aconteceu na Previdência Social e lá foi ainda pior, pois era início de mês e não houve o recolhimento do INSS. Fato semelhante aconteceu com o FGTS. Também nos estados e nas prefeituras todos reclamavam, respectivamente, o dinheiro do ICMS e do ISS.

Muitos serviços paralisaram devido ao fato das despesas não terem sido empenhadas. O repasse dos impostos também ficou prejudicado, pois faltavam Contadores para fazer o serviço.

Ninguém sabia ao certo qual era a arrecadação com os tributos. E tudo isto porque nós, Contadores, resolvemos paralisar nossos serviços e tirarmos uns dias de folga.

Até mesmo o Judiciário sofreu com a paralisação. Não havia Peritos-contadores e muitos processos ficaram parados devido a falta de Peritos para efetuarem os cálculos judiciais.

Nas empresas, a situação não foi diferente. Pilhas e pilhas de notas fiscais se acumulavam sobre a mesa, à espera de alguém que as registrassem no sistema. E só mesmo um Contador poderia efetuar os lançamentos e registros na Contabilidade, entender aquele monte de códigos CFOPs, CSTs, o método das partidas dobradas e ainda lançar de forma correta no Sped?

Muitas empresas simplesmente cancelaram suas vendas, pois, sem o Contador, ficou difícil entender o emaranhado de resoluções, protocolos e alíquotas envolvendo seus produtos.

Nas indústrias, as empresas não sabiam mais como alocar seus custos, nem mesmo sabiam seu custo de produção e tampouco o preço de venda. Análise de balanço, nem pensar. Como fazê-la se os dados estavam desatualizados? As análises não contemplavam as situações reais das empresas.

Assim, muitas companhias engavetaram seus projetos de investimentos. Sem dados contábeis exatos, não ousavam arriscar em novos projetos sem terem um norteamento do pessoal da Contabilidade.

Para as pequenas empresas, que dependiam do Contador para tudo, a situação era mais alarmante.

Na Bolsa de Valores, sem balanços auditados, as empresas não puderam ofertar ações em bolsa. Sem a confiabilidade das informações contábeis tornou-se impossível aos investidores identificarem um investimento rentável e seguro. As grandes empresas perderam milhares e milhares de dólares.

E, após tamanha confusão, ufa! Acordei e respirei mais aliviado! Tinha sido só um sonho. Ainda bem.

Este sonho, apesar de parecer tolo e ingênuo, nos dá uma ideia de como o País pode ficar bem complicado sem o trabalho dos Contadores.

Infelizmente, a sociedade ainda não nos dá o valor que merecemos. É lastimável saber que há quem acredite que o avanço da tecnologia vai dispensar o trabalho do Contador e que os sistemas eletrônicos farão nosso trabalho.

Mas afinal, quem irá desenvolver os sistemas contábeis? Quem veio primeiro? Os sistemas ou a Contabilidade? A Contabilidade veio primeiro e foi gradativamente se adaptando às inovações tecnológicas. Jamais uma profissão tão antiga e importante para a humanidade será substituída pela tecnologia.

Pelo contrário, a tecnologia e a Contabilidade andam juntas, se complementam, atingindo a perfeição, a rapidez, a confiabilidade e a transparência das informações de forma inigualável, como o mundo globalizado busca e necessita.

Assim, me arrisco em afirmar que: sem Contadores, o Brasil também para.

Autor desconhecido.

Colaboração: Marcos Apóstolo, ex-delegado regional do CRC SP em São José do Rio Preto.


FONTE: http://www.crcsp.org.br/index.asp

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Demonstrações financeiras obrigatórias



De acordo com o RIR/1999, art. 274, caput, ao final de cada período-base de incidência do Imposto de Renda, as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real devem apurar o lucro líquido mediante a elaboração, observando as disposições da lei comercial, das seguintes demonstrações financeiras:

a) Balanço Patrimonial;

b) Demonstração do Resultado do Período de Apuração (nos termos da legislação comercial, Demonstração do Resultado do Exercício - DRE);

c) Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA).

Importa observar que a elaboração dessas demonstrações é obrigatória também em face da legislação comercial (Lei nº 6.404/1976, art. 176, I a III).

Além das demonstrações financeiras mencionadas, existem, ainda, mais duas:

a) a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC); e

b) a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), que, conforme determina a legislação comercial, é obrigatória para as companhias abertas.

Observa-se que, ainda nos termos da Lei nº 6.404/1976, art. 176, § 6º, a companhia fechada com Patrimônio Líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 não será obrigada à elaboração e publicação da DFC.

A Lei nº 6.404/1976, art. 186, § 2º, autoriza a inclusão da DLPA na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), quando esta for elaborada e publicada pela companhia, dispensando, assim, as empresas que elaborarem e publicarem essa demonstração de apresentar em separado a DLPA, uma vez que esta, obrigatoriamente, estará incluída naquela.

Conforme estabelecido na Instrução CVM nº 59/1986, art. 1º, as companhias de capital aberto são obrigadas a elaborar e publicar a DMPL.

O balanço e as demais demonstrações contábeis de encerramento do exercício devem ser transcritos no livro Diário, completando-se com as assinaturas do contabilista e do titular ou do representante legal da empresa.Igual procedimento deve ser adotado quanto às demonstrações contábeis elaboradas por força de disposições legais, contratuais ou estatutárias.Tendo em vista o que dispõe o § 2º do art. 274 do RIR/1999, o balanço ou balancete levantado trimestralmente pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real trimestral deve ser transcrito no livro Diário ou, opcionalmente, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur).Todavia, no caso de balanço ou balancete levantado para efeito de suspensão ou redução da estimativa, a Instrução Normativa SRF nº 93/1997, art. 12, § 5º, "b", exige a transcrição no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês.As demonstrações financeiras consolidadas, complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados consolidados, devem ser elaboradas:a) pela companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas (incluindo as sociedades controladas em conjunto, assim consideradas aquelas em que nenhum acionista exerce, individualmente, os poderes de preponderância nas deliberações sociais e de eleger ou destituir a maioria dos administradores);

b) pela sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta.



Fonte: Newsletter Boletim IOB - Edição nº. 425 - 15-janeiro-2010
http://www.iob.com.br/newsletters/cadastro.asp

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Empresas terão de fazer contabilidade ambiental

Enquanto as atenções se voltam para a Conferência do Clima, na Dinamarca, a contabilidade avalia de que forma pode contribuir para a preservação do planeta.
Cristina d’Azevedo

Até sexta-feira, negociadores de mais de 190 nações discutem, durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca, como conciliar interesses de países ricos e nações em desenvolvimento de forma a reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera e frear o aquecimento global e o colapso climático do planeta. Inserida nesse contexto, a contabilidade brasileira estuda a reformulação da Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 15, que estabelece a necessidade de divulgação de informações referentes à interação das empresas com o meio ambiente. O objetivo é incluir ativos e passivos ambientais nos balanços das organizações, com o intuito de que elas possam reconhecer, classificar e mensurar seus desempenhos.

Constituído pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Grupo de Estudos de Informações de Natureza Ambiental, composto pelas professoras de Ciências Contábeis Aracéli Cristina Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Gardênia Maria Braga de Carvalho, da Universidade Federal do Piauí (UFPI); e Maísa de Souza Ribeiro, da Universidade de São Paulo, Campus de Ribeirão Preto (USP/RP); trabalhou ao longo de oito meses para concluir a proposta que visa a normatizar a maneira como as organizações devem registrar o envolvimento com as questões ambientais. “Afinal, a empresa está inserida na sociedade e faz uso de um meio ambiente que é de todos”, justifica Aracéli.

Em julho, a proposta foi discutida em audiência pública durante o Congresso Internacional de Contabilidade Socioambiental, realizado no Rio de Janeiro, ocasião em que o grupo de estudos recebeu sugestões para a reformulação da norma, que será entregue ainda esta semana ao CFC e deverá entrar em vigência a partir de 2011. “A norma foi traduzida para o inglês para que os estrangeiros também pudessem acompanhar a apresentação”, conta a professora da UFRJ. “O objetivo é disciplinar a relação que as empresas têm com o meio ambiente, até para poder comparar organizações do mesmo setor e de segmentos distintos.”

Segundo ela, não adianta propagandear que a empresa é socialmente e ambientalmente responsável, sem que essas informações estejam expressas nas suas publicações contábeis. A partir da nova norma, as empresas deverão comunicar quando tiverem de fazer provisão, seguro ou mesmo detalhar em notas explicativas potenciais passivos ambientais. Da mesma forma, precisarão informar seus ativos ambientais, mesmo que intangíveis, como a conservação de áreas que não pertençam à empresa. “Um equipamento novo, por exemplo, polui menos do que o antigo. Hoje, isso não é considerado um ativo ambiental e, sim, um ativo operacional”, esclarece Aracéli.

Do seu ponto de vista, todos os impactos que uma empresa causa ao meio ambiente devem ser documentados para que, posteriormente, se possa refletir sobre essa interação. “Eu acho que a compreensão dos contadores em relação às questões ambientais vem aumentando consideravelmente, mas acredito também que essa nova norma trará uma tranquilidade técnica de como fazer o reconhecimento disso corretamente”, aposta a professora. “É um processo de médio a longo prazo que envolve várias frentes.”

terça-feira, 3 de novembro de 2009

RTT e FCONT: impactos da Lei 11638/07 e Lei 11941/09

No findar de 2007, a Lei 11638/07 foi publicada com base no projeto de lei 3740/00, cujo objetivo é oferecer não apenas uma mudança na estrutura das demonstrações contábeis, como ocorre no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício, mas determina a adoção da Demonstração do Fluxo de Caixa para as empresas cujo Patrimônio Líquido ultrapasse dois milhões de reais, ao invés da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), determinou a criação da Demonstração do Valor Adicionado para as empresas de capital aberto, além de continuar sendo obrigatória a Demonstração de lucros ou Prejuízos Acumulados e as notas explicativas.


Porém, como o projeto de Lei 3740/00 ficou praticamente (7) sete anos para ser efetivamente analisado e votado pelo Congresso Nacional Brasileiro; enquanto isso, o mundo estava em constante movimento, o que fez com esse projeto se tornasse em parte obsoleto.Mesmo assim, o projeto foi convertido em lei, o que trouxe divergências no âmbito contábil, tributário e fiscal. As duvidas não eram sobre as novas estruturas das demonstrações mas sobre os critérios que a Lei 11638/07 definia e determinava que fosse executada a contabilidade no Brasil, ou seja, de acordo com os padrões internacionais de contabilidade e o mais interessante: a contabilidade nesse critério não seria base calculo para tributação.Para conter as curiosidades,as especulações, dúvidas gerais e ajustar o tempo em que o projeto de lei 3740/00 ficou parado no Congresso, o governo federal, por força de um ato unipessoal do presidente da Republica,com indicações do ministro da fazendo Sr. Guido Mantega, sancionou a MP.449/08.Nesta norma, foram diminuídas as duvidas, criadas outras situações técnicas a serem seguidas, mas o ponto principal foi a criação do Regime Transitório de Tributação – RTT.Após cumprir seu prazo legal e analisada pelo Congresso Nacional, a MP 449/08 foi convertida na Lei 11941/09, com algumas mudanças porém trouxe em sua estrutura o RTT de forma literal. Mas afinal, o que é o RTT?

O RTT – Regime Tributário de Transição – nada mais é que uma opção em que as pessoas jurídicas, indiferentes da sua forma societária, se sociedade limitada, sociedade simples, etc, mas desde que esteja na forma de tributação Lucro Presumido ou Lucro Real, poderá escolher se deseja ou não optar pelo RTT nos anos de 2008-2009. Essa opção ao RTT, só deverá ser efetivada se o contabilista responsável, desenvolveu a contabilidade dessas pessoas jurídicas com base nos critérios da Lei 11638/07 e Pronunciamentos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, além de aplicar o critério da essência da primazia sobre a forma.Se assim o fez, o contabilista responsável, deverá na entrega da DIPJ – Declaração das Informações econômico-fiscais da pessoa jurídica - clicar na opção RTT. Se porventura o contabilista não tenha usado os critérios de contabilização determinados pela nova lei e normas correlatas, entendemos que não há a necessidade de optar ao RTT nos anos calendário 2008-2009. Ressalta-se que, uma vez optado ao RTT no ato da entrega da DIPJ em 2009, que cita os fatos de 2008, a pessoa jurídica não poderá desistir no exercício seguinte da opção escolhida. No ano de 2010, todas as pessoas jurídicas optantes pelo regime tributário denominado Lucro Presumido e Lucro Real, são obrigadas a optarem ao RTT, pois é a partir desse ano que a Comissão de Valores Mobiliários, o Banco Central do Brasil, a Receita Federal e outras entidades, por força normativa, determinam a convergência final para as normas internacionais de contabilidade, ou seja, todas as pessoas jurídicas deverão estar em 2010 dentro dos critérios e regras estabelecidas pelas leis e normas em vigência, além de seguirem as Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade efetivamente.

Todas mudanças estruturais e de critério determinadas pelas leis e normas, fazem uma ruptura entre o domínio das normas fiscais sobre a contabilidade; o contabilista responsável deve ter em mente que, não basta planejar e estudar normas tributárias e fiscais para diminuição da carga tributária, mas oferecer à pessoa jurídica o que prega o Principio da Continuidade, que diante de sua essência, afirma que a Entidade deverá estar sempre em marcha, ou seja, o contabilista deve oferecer soluções e informações sobre o patrimônio, fluxo de caixa e possíveis desencaixes financeiros, determinando mudanças nas ações gerenciais das quais modificam o patrimônio, dentre outras. Essas ações têm impactos profundos na profissão contábil, onde o contabilista passa a ser de fato um gestor ou ainda um consultor efetivamente, o que sem dúvida é um enorme passo à categoria.

Os impactos oferecidos pela Lei 11638/09 e 11941/09 são amplos não estão apenas na esfera do critério de contabilização e outros como já citados neste artigo. Em nosso entendimento a amplitude chega-se até ao SPED Contábil uma vez que a IN RFB 787/07 determina que as empresas de Lucro Real, observadas as regras da norma, são obrigadas a entregarem o SPED até 30 de junho do exercício seguinte. Assim, aos que optaram ao RTT no ano calendário 2008-2009,optantes do Lucro Real, entende-se que aos que entregaram o ECD – Escrituração Contábil Digital - em 30 de Junho de 2009, tais informações entregues ao fisco esteja com base nas normas contábeis em vigência, observadas as notas explicativas detalhando a adoção da Lei 11638/07 e 11941/09.

Nesse contexto, as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Real, que optaram ao RTT no ano calendário de 2008-2009 ou ainda no ato obrigatório em 2010, com base na IN RFB 941/09, são obrigadas a escriturar o Controle Fiscal Contábil de Transição denominado “FCONT”. Esse por sua vez, é um aplicativo (software) que será disponibilizado no portal da Receita Federal do Brasil a partir de 15/10/2009 e deverá ser entregue ao ente até 30/11/2009 (apenas às pessoas jurídicas do Lucro Real que optaram ao RTT). O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária,ou seja, é uma conversão da contabilidade “societária” para a contabilidade “fiscal”. As empresas optantes ao Lucro Presumido que porventura optaram ao RTT ou ainda, obrigadas em 2010 a informar o RTT, até o presente, a norma não ofereceu nenhuma informação para a entrega de nova obrigação, como ocorre com as empresas do Lucro Real.A única informação que a IN RFB 949/09 afirma é que, as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, deverão guardar a memória de cálculo; com base nessa determinação, nossa sugestão é que, a pessoa jurídica nessa forma de tributação, guarde em planilha eletrônica as regras e cálculos de convergência.

O RTT não é uma forma de diminuição de tributos e nem tampouco uma nova contabilidade tributária, apenas é uma forma encontrada pelo fisco de não haver divergências contábeis e fiscais.

Por outro lado, observamos que o contabilista responsável deverá rever seus processos, voltar aos bancos escolares, buscar empresas de consultoria normativa e técnica, ajustar seus softwares, criar uma relação com clientes de forma direta e constante para que a gestão da empresa esteja a contendo ao que dita as normas, o que muitas vezes, o cliente poderá até ter que rever seus processos internos.

Enfim, os obstáculos do aprendizado poderão ser muitos, mas o conhecimento com inteligência oferecem frutos de alta qualidade.



Bibliografia Consultada:

BRASIL. Constituição (1988). Constituição [da] Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal.


BRASIL. Lei n. ° 11638, de 28 de dezembro de 2007, Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras.Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Brasília, DF, Edição Extra.


BRASIL. Lei n. ° 11941, de 27 de maio de 2009, Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; concede remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, alterando o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, as Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.213, de 24 de julho de 1991, 8.218, de 29 de agosto de 1991, 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 9.469, de 10 de julho de 1997, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, 10.426, de 24 de abril de 2002, 10.480, de 2 de julho de 2002, 10.522, de 19 de julho de 2002, 10.887, de 18 de junho de 2004, e 6.404, de 15 de dezembro de 1976, o Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e as Leis nos 8.981, de 20 de janeiro de 1995, 10.925, de 23 de julho de 2004, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 11.116, de 18 de maio de 2005, 11.732, de 30 de junho de 2008, 10.260, de 12 de julho de 2001, 9.873, de 23 de novembro de 1999, 11.171, de 2 de setembro de 2005, 11.345, de 14 de setembro de 2006; prorroga a vigência da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995; revoga dispositivos das Leis nos 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 8.620, de 5 de janeiro de 1993, do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, das Leis nos 10.190, de 14 de fevereiro de 2001, 9.718, de 27 de novembro de 1998, e 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.964, de 10 de abril de 2000, e, a partir da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Decretos nos 83.304, de 28 de março de 1979, e 89.892, de 2 de julho de 1984, e o art. 112 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005; e dá outras providências.Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Brasília, DF.



BRASIL. Instrução Normativa RFB n. ° 949, de 16 de junho de 2009, Regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT), institui o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) e dá outras providências.Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Brasília, DF.



COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, Pronunciamento Contábil 13, Adoção inicial da lei nº. 11.638/07 e da Medida Provisória nº. 449/08.Disponível em www.cpc.org.br . Acesso em 03/07/2009.



CONTENTE, Sergio et alli. 500 Respostas da Consultoria. Ed. Softmatic,2008.


Instrução Normativa RFB n. ° 949, de 16 de junho de 2009, Regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT), institui o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) e dá outras providências.Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Brasília, DF.



COMITÊ internacional anuncia IFRS para pequenas e médias companhias. Ibracon [notícias], São Paulo, 10 de julho de 2009. Disponível em: http://www.ibracon.com.br/noticias/news.asp?identificador=3449 .Acesso em: 17 julho de 2009.


Autor:

SERGIO BISPO DE OLIVEIRA, Contador, Especialista em Controladoria e Finanças (FCDA-SP), Extensão em Contabilidade Internacional (FIPECAFI), Gestão Tributária (FIPECAFI), Contabilidade Financeira(FIPECAFI), Controles Internos. É Tecnólogo em Telecomunicações (CEFET) e Técnico em Comunicação – Radio e TV (SENAC). Atua como Consultor em centenas de empresas, professor e palestrante nas áreas contabil, financeira, sistemas de informação e controladoria e escritor.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sonha em Decolar? Faça um Business Plan

Então, antes de pensar em abrir o seu próprio negócio faça um plano de vôo: um business plan.

Pergunte a qualquer companhia de venture capital – aquele tipo de empresa conhecida por financiar negócios embrionários de Internet – qual o primeiro passo para lançar um site. A resposta vai ser uma só: business plan, ou, em português, plano de negócios. Numa época em que todo mundo acredita ter uma boa idéia, só tem chance de ganhar a batalha por capital quem apresentar um bom plano de vôo. Conhecer o mercado, a concorrência, os clientes e o retorno esperado são alguns dos dados obrigatórios antes de fazer qualquer investimento. O que muita gente esquece é que não é preciso estar disputando a atenção e o dinheiro de um sócio capitalista para fazer um business plan. Para virar patrão e montar a própria empresa também é preciso colocar no papel todos os detalhes da empreitada. É lógico que só isso não garante sucesso. Mas trata-se de um bom começo. “O business plan é fundamental, antes de mais nada, para saber se a idéia é viável”, diz Marcelo Gomes, diretor de fusões e aquisições da consultoria Ernst Young.
Fazer um bom business plan pode inclusive ser a diferença entre o sucesso e a falência. Segundo recente pesquisa do Sebrae feita em doze Estados do País, de cada 100 companhias nacionais entre 55% e 73% fecham as portas até o terceiro ano de atividade. E a maior parte dos fracassos não acontece apenas pela conjuntura econômica ou inadimplência. Eles também ocorrem pela falta de experiência de seus donos. Em São Paulo, por exemplo, nas empresas extintas, erros como falta de conhecimento do mercado, da forte concorrência, um ponto inadequado e poucos conhecimentos gerenciais representam 54% dos fatores do insucesso. De novo: business plan não faz milagre. Mas na hora de fazê-lo você certamente vai sair fora de mitos como “boa idéia e dinheiro garantem sucesso” ou “este produto é infalível” (lembra da passagem da Pizza Hut, do KFC e do Arby´s por aqui?).
Na prática, traçar um plano de negócio nada mais é do que colocar no papel uma análise minuciosa do que te espera (confira quadro abaixo). “Quem não faz o plano geralmente erra nos custos”, revela Sônia de Almeida, consultora do Sebrae-SP. Foi o que aconteceu com o empresário Jairo Cardoso, que há dois anos montou um distribuidora de água em São Paulo. “Me entusiasmei com o negócio.” Ele reuniu todo o dinheiro da indenização de 37 anos de trabalho num banco e investiu no negócio. O problema é que ele não fez um bom planejamento. Tudo o que Cardoso tinha em mente eram clientes potenciais e uma vaga noção de mercado. “Não sabia como era o negócio na prática nem tinha previsto todas as despesas. Só depois descobri o custo alto e o retorno baixo”, diz. Resultado: além de não ter tido lucro ainda, ele já cortou metade de seus empregados.
É claro que para virar o próprio patrão não basta apenas ter em mãos uma teoria perfeita. É necessário um perfil de empreendedor. Para isso, antes de colocar a mão no bolso – e portanto ainda na fase do business plan – veja se você é confiante, otimista, persuasivo, tem espírito de líder e capacidade de buscar oportunidades. Se você não é assim, se associe a alguém que seja ou reveja seus planos. Tendo isso nas mãos, avalie o mercado pretendido. O plano de negócio deve funcionar como um mapa de coordenadas. E, como tal, reproduzir da melhor forma a realidade. Mantenha os pés no chão, não faça apenas projeções otimistas. “Fiz uma planilha inicial esperando ficar cinco meses sem vender nada”, conta o empresário Maurício Orsi, 30 anos, que em 1994 deixou seu emprego no banco Chase Manhattan para montar uma empresa de software. “Também aproveitei um boom no mercado e minha experiência para conseguir futuros clientes.” Orsi estava certo. Em seis anos ele aumentou em 150% o faturamento de sua empresa e profissionalizou o negócio. Este é outro ponto crucial: desde o primeiro esboço, profissionalize a gestão. Não misture capital e finanças pessoais, nem coloque seu patrimônio em jogo se o negócio estiver no vermelho. Também determine um prazo para a empresa decolar. Um, dois, cinco anos, veja por quanto tempo você pode sustentar um negócio sem estourar sua meta inicial.
FONTE: Fabiana Godoy - Dinheiro na Web - 11/12/2008.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Farmacêutica implanta sistema de NF-e antes do prazo

Estratégia do CIO da AstraZeneca, Rogério Ribeiro, serviu para prevenção de problemas futuros.
SÃO PAULO - Adaptar-se às mudanças exigidas por uma nova legislação nem sempre é tarefa fácil. Requer muito trabalho e, em alguns casos, adequações para tornar os processos ágeis e estáveis, além de evitar problemas. No caso da nota fiscal eletrônica (NF-e) não tem sido diferente. Empresas de diversos setores têm se empenhado em atender às especificações da lei brasileira. Em dezembro último, a indústria farmacêutica foi uma das que passou a ter obrigatoriedade. Mas a multinacional britânica AstraZeneca, que optou pelo programa da SAP, adiantou-se e começou a trabalhar com o novo sistema em setembro.

O processo de implantação teve início em junho de 2008 com a escolha de um fornecedor entre cinco opções. O fato de a farmacêutica trabalhar com o ERP da SAP contou para a decisão pelo sistema NFE 1.0 da companhia alemã. Passada esta fase, a implantação se deu em três estágios: upgrade do sistema de gestão, implementação do sistema de notas e, por último e ainda em andamento, a automatização da entrada de notas. "O trabalho foi em ritmo acelerado, já que, inicialmente, o prazo para o setor estar com o sistema em vigor era setembro de 2008, postergado para dezembro pelo governo", conta o CIO, Rogério Ribeiro.

O executivo explica que a migração para a versão 6.0 do ERP da SAP visou a evitar problemas futuros, uma vez que, na versão anterior, haveria mais riscos, além de um custo maior. "Fizemos a atualização para depois implementar o sistema da nota fiscal eletrônica", completa. A troca da versão ocorreu em 2007 em um projeto feito em conjunto com a IBM.

Terminada a fase do upgrade, o CIO partiu para a implementação do sistema NFE 1.0. Além da equipe interna de consultores SAP, Ribeiro - responsável pelo gerenciamento do projeto - fez um acordo com a consultoria Plaut e alocou alguns consultores para completar o time. "O ciclo, contando a implementação, os treinamentos e os testes durou 2,5 meses", explica. Depois que o sistema entrou em funcionamento (em setembro de 2008), as primeiras duas semanas foram utilizadas para testar e se precaver de eventuais problemas. "Emitíamos a nota em papel e a enviávamos paralelamente em meio eletrônico para a Secretaria da Fazenda. Era uma forma de entender o conceito da nota", detalha. Esse período foi aproveitado também para treinar os usuários do sistema.

De acordo com o executivo, operacionalmente não houve grandes mudanças, já que o sistema anterior de notas também era SAP, e os usuários tiveram boa aceitação. "Eles levaram no início um ‘susto" justamente pela falta das impressões em papel contínuo", lembra, ressaltando que uma das dificuldades foi fazer com que todos entendessem o conceito. "Os caminhoneiros [que iam retirar os produtos] queriam nota e ela não existia mais. Há uma cultura a ser quebrada e as primeiras duas semanas foram usadas para isto", assinala.

Ainda que não tenha enfrentado problemas operacionais, o CIO está alerta do que pode ocorrer. "A NF-e, quando entra em processo, pode ter vários problemas, sendo do sistema ou na transmissão dos dados. Mas temos um backup e um papel moeda que o governo nos autoriza emitir [quando o sistema está em contingência]", informa. O investimento no novo sistema de notas fiscais ficou em R$ 800 mil e não há previsão de retorno financeiro. Mas, segundo Ribeiro, os benefícios compensaram: houve redução do trabalho operacional e os clientes recebem notas eletronicamente, podendo conferir o pedido antecipadamente, o que resulta em oferecer um melhor atendimento.

A última fase do projeto será feita durante o ano de 2009. Ela consistirá na automatização da entrada de notas. A solução já está em desenvolvimento e também será SAP. "Quanto automatizarmos a entrada, haverá ROI, com a diminuição do trabalho operacional."
FONTE: Vitor Cavalcanti - Information Week Brasil - 26/06/2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Atualização das normas contábeis













A mais recente mudança na lei finalmente permitiu que nossa contabilidade convirja com as normas internacionais


A Lei nº 6.404 há mais de três décadas veio aperfeiçoar a normatização contábil brasileira. A "nova Lei das S.A.", como era conhecida, alterou o contido no Decreto-lei nº 2.627, de 1940 (antiga Lei das S.A.) e já sofreu importantes alterações.


A mais recente foi feita pela Lei nº 11.638/07, que atualizou a parte que se refere especialmente às demonstrações contábeis, introduzindo novos conceitos contábeis na legislação societária brasileira e, finalmente, permitiu que nossa contabilidade possa convergir com as normas internacionais.


O Regime Tributário de Transição, mais conhecido como "RTT", foi criado pela Medida Provisória nº 449/08, convertida em 27/05/2009 na Lei nº 11.941/09.


A referida lei, dentre as importantes alterações efetuadas na legislação fiscal, busca neutralizar os impactos tributários da adoção dos novos critérios contábeis instituídos pela Lei nº 11.638/07, de 28.12.2007, até que se possam regular definitivamente o modo e a intensidade de integração da legislação tributária com os novos métodos e critérios internacionais de contabilidade.


É oportuno lembrar que logo após a criação da "nova Lei das S.A.", a Lei nº 6.404/76, entrou em vigor o Decreto-lei nº 1.598/77, que regulamentou a parte tributária da lei.


Desta forma, agora deverá ocorrer o mesmo, ou seja, o Regime Tributário de Transição vigerá até que a legislação definitiva seja disciplinada pela Receita Federal para regulamentar os reflexos tributários da nova Lei das Sociedades Anônimas e normas contábeis.


A opção pelo Regime Tributário de Transição será aplicada aos anos-calendário de 2008 e 2009, e deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIPJ/2009).


A partir do ano-calendário de 2010, o Regime Tributário de Transição será obrigatório inclusive em relação ao Imposto de Renda apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, à Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).


Desta forma, o Regime Tributário de Transição vigerá, nos termos do artigo 15, § 1º da Lei nº 11.941/09, até a entrada em vigor de lei que discipline os referidos efeitos tributários.


O artigo 16 da Lei nº 11.941/09, por sua vez, estabelece que para as empresas sujeitas ao Regime Tributário de Transição, as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638/07, e pelos artigos 37 e 38 da própria 11.941 - que modificam o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício (definido no artigo 191 da Lei das Sociedades Anônimas) - não terão efeitos para fins de apuração do lucro real.


Dessa forma, devem ser considerados, para fins fiscais, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, aplicando-se, inclusive para as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelos demais órgãos reguladores que visem a alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de contabilidade (CFC, CPC e Ibracon, dentre outros).


Os procedimentos observados pelas empresas sujeitas ao RTT, em caso de eventuais conflitos entre a lei tributária e a nova regra contábil, devem ser objetos de ajustes específicos no lucro líquido do período no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur).


Essa iniciativa deve ser tomada de forma a reverter o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles vigentes em 31 de dezembro de 2007, e realizar os devidos ajustes no Lalur para a adição, exclusão e compensação.


A Lei nº 11.638/07 entrou em vigor no primeiro dia de 2008, estendendo-as às sociedades de grande porte, ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações.


Assim, aplicam-se às sociedades de grande porte as disposições da Lei nº 6.404 sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários, sendo elas as com ativo maior que R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões.


A seguir estamos relacionando as principais modificações introduzidas pela Lei número 11.638/07:


§ Introdução da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e Demonstração do Valor Adicionado (DVA);


§ Segregação entre lei tributária ou especial e normas contábeis (na escrituração ou em livros auxiliares), com objetivo de convergência às normas internacionais.


§ Registro no ativo imobilizado dos direitos que tenham por objeto os bens para a perfeita manutenção das atividades, inclusive os que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controles desses bens;


§ Modificação do modo de contabilização do diferido (despesas pré-operacionais e de reestruturação que impactam o resultado de mais de um exercício);


§ Criação do subgrupo "intangível" (ágio, bens incorpóreos e fundo de comércio);


§ Avaliação, continuamente, dos valores constantes no ativo imobilizado, intangível e diferido.




Fonte: JOSÉ SANTIAGO DA LUZ - DCI - SP

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Por que existe um abismo entre o "saber" e o "fazer" dentro das empresas?

Não é preciso ser nenhum gênio para ter noção de que "saber sem fazer não nos traz benefício algum". Mas, de acordo com o professor da Universidade de Stanford (EUA), Jeffrey Pfeffer, isso acontece com frequência nas empresas de todo o mundo.

Um exemplo dado por ele é de que todos sabem que é importante manter os colaboradores motivados para que produzam mais, principalmente em momentos de crise. Mas o que as empresas estão fazendo nessa crise é demitir, e ainda em "conta-gotas", o que ocasiona descontentamento por parte dos demais profissionais, que passam a pensar: será que serei o próximo? Aí está uma diferença entre saber e fazer, que tanto prejudica as empresas.

Saber e fazer

De acordo com Pfeffer, medir o descompasso entre o "saber e fazer" é importante para avaliar a intensidade do problema que a empresa enfrenta e para acompanhar atentamente o progresso alcançado por sua resolução. Além disso, é uma maneira útil de avaliar a eficácia do aprendizado, treinamento e esforço para mudar a organização.
Para colocar em prática o que se sabe, o professor aconselhou que as lideranças elaborem uma lista de práticas e ações gerenciais; peçam às pessoas que digam em que medida elas acham que cada uma dessas práticas e ações relacionam-se com o desempenho organizacional; e peçam às pessoas que digam em que medida elas acham que essas práticas e ações estão sendo postas em prática.
Confira abaixo outras orientações dadas pelo professor, para medir o descompasso entre o saber e fazer:

Existe algum acordo sobre o que produz sucesso na sua organização? Se não houver, esforce-se para criar um entendimento comum do negócio e da sua estratégia.

Existe sequer acordo sobre o que a empresa faz?

A empresa está fazendo o que sabe que deveria fazer? Se não estiver, por que não?
Causas do descompasso
Pfeffer apontou, dentre os motivos do descompasso do saber e fazer, o excesso de palestras, apresentações, reuniões, em vez da ação. Além disso, ele citou lembranças, precedentes, procedimentos operacionais padrão e valores e crenças culturais aceitos sem questionamento, em vez de ideias e reflexões.
O professor de Stanford disse ainda que o medo impede que se aja com base no que se sabe. "Na verdade, o medo impede o aprendizado e a tomada de qualquer tipo de medida".
Outro ponto bastante importante é a competição interna: "transforma amigos em inimigos, prejudicando o compartilhamento de conhecimentos, a cooperação e o aprendizado, e rompendo as redes sociais necessárias para a inovação".


FONTE: Flávia Furlan Nunes - InfoMoney.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Por Dentro do Mercado


Mercado já dá aval a choque de juros

Luiz Sérgio Guimarães

11/03/2009


O que dá para o governo fazer em matéria de política fiscal para evitar a recessão? Muito pouco. Poder então tentar ser mais "criativo" em política de crédito. Para que o empresários e consumidores voltem a tomar empréstimos, precisam reconfiar nos rumos da economia. Como resgatar essa confiança? O que sempre foi a maldição da economia brasileira - a taxa de juro doentiamente elevada - pode ser a sua salvação. Enquanto os outros países não têm mais o que cortar em termos de custo do dinheiro, aqui há um vasto horizonte de oportunidade. O Copom do Banco Central tem hoje a chance de redimir-se dos erros recentes e dar início a uma inteiramente nova política monetária. As pesadas quedas sofridas ontem pelo juros futuros parecem dar aval à uma guinada nas posições históricas ultraconservadoras do Copom.

O fato que chocou o mercado ontem e aprofundou o declínio dos CDIs futuros foi a conscientização de que a economia, na melhor das hipóteses, irá crescer quase nada este ano. A última estimativa do Focus, de alta de 1,2%, está superdimensionada. Ao invés de ter caído 3,6% no quatro trimestre de 2008 sobre o terceiro, o PIB poderia ter acusado retrocesso de 2,6% se o IBGE não tivesse, no entender do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, introduzido "mudanças metodológicas inesperadas na dessazonalização". E daí? Daí que, para efeito do que interessa, a projeção para o futuro, tanto faz. O carregamento estatístico do PIB do quatro trimestre para o de 2009 é de 1,5% negativo. E o primeiro trimestre deste ano, configurando uma recessão técnica, deve cair 1,3% na margem. Então, o segundo, o terceiro e o quarto trimestres de 2009 têm de registrar avanços significativos para que o produto do ano seja apenas levemente positivo. Ao contrário da Fazenda, o BC pode agir para evitar a estagnação. Como? Basta fazer o que o mercado chama de "choque de juros". Que não se pense que tal expressão signifique uma "paulada" na Selic. Nada disso. Não irá se abandonar o gradualismo.

Mas, agora, o "gradualismo" não se contenta mais com o ritmo pachorrento de 0,25 ou 0,50 ponto. Apenas não se irá desfechar uma pancada única de 3,75 ponto, trazendo a Selic dos atuais 12,75% para 9% de um vez só. No entanto, considera-se palatável dois cortes de 1,5 ponto (um hoje e o outro no Copom de 29 de abril) e uma baixa de 0,75 ponto no de 10 de junho. O BC conseguiria encerrar o primeiro semestre do ano com Selic de 9%. É exatamente isso o que propõe o economista-chefe da Gradual Investimentos, Pedro Paulo Silveira. Não se trata de uma proposição muito diferente da formulada pela vanguarda mais esclarecida do mercado. A vantagem do "gradualismo" do 1,5 ponto de corte por reunião até se atingir uma Selic de equilíbrio, ajustada aos atuais tempos de crise global feroz, é arrebatar a simpatia e a confiança dos investidores. Eles precisam "comprar" a velocidade de queda como adequada e condizente com os novos tempos. Se a ideia for assimilada como natural, os juros longos - os que de fato importam - declinam, favorecendo a recuperação do investimento. Isso poderia não acontecer se o Copom utilizasse a estratégia do "choque único": apenas uma paulada de 3,75 pontos. Os juros longos poderiam mostrar-se resistentes à queda, ou até subir, com medo de que a pressa do BC viesse a facilitar o repasse aos preços da depreciação cambial.

Para o gradualismo do 1,5 ponto dar certo, o BC precisa explicitá-lo no comunicado que será expedido hoje ao término da reunião do Copom. Ele precisa remover a expressão "parte relevante" do aperto imaginado e enfatizar a busca de uma Selic baixa o suficiente para manter um juro longo propício à retomada da economia. Será em cima de uma taxa longa baixa, compatível com a época de crise, que será exercitada a criatividade do crédito e desenvolvidos programas oficiais de incentivo setorial ao crescimento. O Copom precisa buscar, e sustentar, um juro real abaixo de 5%. E ele não está longe. Bateu ontem em 5,44% (swap de 360 dias a 10,13% e expectativa de IPCA 12 meses à frente de 4,45%). Se o mercado perceber que esse juro real abaixo de 5% não provoca inflação irá perseguir outros patamares ainda mais baixos, na faixa de 4%.

O pregão de juros futuros da BM&F está sensível a juros nominais raramente vistos na economia brasileira. O CDI estimado para a virada do ano cedeu ontem de 10,17% para 10,12%. O juro longo por excelência, com vencimento em janeiro de 2012, consolida-se abaixo de 11%. Caiu ontem de 10,96% para 10,72%. O oferecimento de juros reais cada vez mais baixos parece não assustar os investidores estrangeiros. O dólar fechou ontem cotado a R$ 2,3490, em desvalorização de 1,3%, sintonizado com a melhora do humor internacional.



FONTE: Luiz Sérgio Guimarães - Repórter de Finanças - E-mail: luiz.guimaraes@valor.com.br

PIB do Brasil é o pior dos Brics



O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que recuou 3,6% no último trimestre em relação ao perído imediatamente anterior, é o pior até agora entre os países do Bric (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China). A queda é ainda superior à redução do PIB da Europa. "O resultado é chocante", afirmou o alemão Heiner Flassbeck, economista-chefe da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Desenvolvimento e Comércio.


Os dados do Brasil ficam piores na comparação anualizada. Na China, o crescimento no quarto trimestre (anualizado) foi de 6,5%. A Índia cresceu 5,3%, menos que a previsão de 7,6%. Se o recuo de 3,6% do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2008 for anualizado, pode significar uma queda de 13,6% da atividade econômica em 2009. Já a Rússia sofre tanto com a queda do preço do petróleo como com a redução da demanda na Europa para suas exportações. O resultado é um crescimento previsto ainda de 2% para os últimos três meses de 2008. Para 2009, a previsão é de que a economia russa sofra uma contração de até 0,7%.


O resultado brasileiro é ainda pior que a queda do PIB na Europa no quarto trimestre de 2008. A média da redução foi de 2,4% e pôs a Europa em uma recessão, fez a inflação despencar e está levando ao desemprego mais de 12 mil pessoas diariamente nos 27 países da União Européia (UE). Entre os 16 países que usam o euro (zona do euro), a queda foi de 1,5% entre outubro e dezembro do ano passado.


Com o recuo, o Brasil ocupará a quarta posição no ranking de crescimento do PIB com base no desempenho do quarto trimestre projetado para este ano, segundo a consultoria Austin Rating. Esse ranking é liderado pela Tailândia, com recuo de 22,2% do PIB projetado para 2009, seguido pela Coréia (-20,8%) e Cingapura (-16,4%).


FONTE: As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

IRPF 2009: Receita recebeu 1.7 milhão declarações até hoje (11/3)



Brasília, 11 de março de 2009


A Receita Federal do Brasil (RFB) recebeu até às 11h de hoje (11/3) 1.700.763 declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2009.

A expectativa da Receita é que cerca de 25 milhões de contribuintes prestem contas este ano. O prazo de entrega termina dia 30 de abril, às 24h.

Quem não entregar a declaração dentro do prazo terá que pagar multa de R$ 165,74.

Diferente do ano passado, até mesmo a primeira quota do imposto devido poderá ser paga por meio do débito em conta agendado. Para isso o contribuinte deverá transmitir sua declaração até 31 de março. Para os contribuintes que transmitirem a declaração após esse prazo o agendamento estará disponível a partir da segunda quota.


FONTE: http://www.receita.fazenda.gov.br

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Prazo para Entrega do Comprovante de Rendimentos do IR 2009


Empresas têm até dia 27 para entregar comprovante de rendimentos do IR 2009

16/02/09 - 15h38 - Atualizado em 16/02/09 - 15h51.

Comprovante é necessário para que contribuintes possam fazer declaração.Multa por atraso é de R$ 41,73 por funcionário, informa Receita Federal.

A Secretaria da Receita Federal confirmou que o prazo de entrega da declaração de rendimentos pelas empresas aos seus funcionários, documento que é necessário para fazer a declaração do Imposto de Renda 2009, ano-base 2008, termina no último dia útil deste mês, ou seja, em 27 de fevereiro.O comprovante de rendimentos deverá trazer as informações sobre o valor total dos rendimentos obtidos pelo trabalhador em 2008 e o do IR Retido na Fonte (IRRF) no período.

A multa por não entregar o documento dentro do prazo, ou apresentá-lo com informações incorretas, é de R$ 41,73 por funcionário.

Cruzamento de dados

As informações contidas no Comprovante de Rendimentos são cruzadas com as fornecidas na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), que as empresas têm de remeter à Receita Federal também até 27 de fevereiro. Caso a Receita encontre divergências, a declaração é retida na chamada malha fina até que as partes solucionem as pendências.

Declaração do IR

A Receita Federal lembra que o prazo de entrega da declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2009, ano-base 2008, começa em 2 de março e vai até às 24h do dia 30 de abril deste ano. Quem perder o prazo está sujeito a uma multa mínima de R$ 165,74. O órgão não está exigindo, neste ano, o recibo da declaração de 2008. A Receita espera que 25 milhões de contribuintes declarem IR em 2009.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Administração é o curso com mais matrículas no Brasil



O curso de administração foi o que teve mais estudantes matriculados no país.


Os dados são do Censo da Educação Superior 2007, divulgados pelo MEC (Ministério da Educação), em janeiro. A carreira registrou 16,4% do total das matrículas, com 798.755 alunos cadastrados.

No país, a contagem do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) mostrou que havia 4.880.381 estudantes em 2007.

Apenas seis áreas do saber são responsáveis por mais da metade das matrículas (51,2%) de todo o ensino superior no censo. São elas: administração, direito, pedagogia, engenharia, comunicação social e enfermagem.O restante dos universitários ficou divido em 77 outros tipos de graduações, segundo informou o MEC.

O tão disputado curso de medicina, por exemplo, aparece apenas na 16ª colocação entre as áreas com mais matrículas. A graduação concentrava, em 2007, 79.246 matriculados - o que corresponde a 1,6% do total de estudantes do ensino superior naquele ano.O número de matrículas no ensino superior, seja em graduações a distância, seja em cursos presenciais, aumentou 7,5%, de 2006 para 2007. Os maiores responsáveis por este crescimento foram os cursos a distância, cujo número de matrículas pulou de 207.206, em 2006, para 369.766, no ano seguinte - um salto de 78,5%.


Dez maiores cursos por número de matrículas:






Fonte: UOL Educação